No setor de tintas, a distribuição de commodities se aproxima cada vez mais do cenário de especialidades e entender isso pode ser um diferencial.
Por Rodrigo Rezende
A distribuição de commodities no setor de tintas brasileiro pode enfrentar desafios diversos, da logística à volatilidade de preços das matérias-primas. Com isso, a eficiência na cadeia de suprimentos pode ser um fator relevante para fornecedores e distribuidores que buscam atender a um mercado em expansão e cada vez mais competitivo – com a crescente demanda por tintas em segmentos como construção civil, imobiliário, automotivo e industrial. A distribuição de matérias-primas como pigmentos, resinas e solventes tem se tornado um ponto importante para a competitividade das empresas químicas.
Além do mais, o transporte eficiente, o gerenciamento de estoques e a previsibilidade no fornecimento são desafios adicionais que podem demandar soluções inovadoras e parcerias estratégicas entre fabricantes de tintas e distribuidores de produtos químicos. Por outro lado, oscilações nos custos globais de commodities podem exigir mais flexibilidade e resiliência aos players nesse mercado.
De fato, segundo quem atua nesse setor, investir em tecnologia para rastreamento, em inteligência de mercado para antecipar tendências, em automatização e digitalização para otimizar processos de formulação, produção e logística, e em sustentabilidade para atender às novas exigências regulatórias são estratégias que podem estar moldando o futuro da distribuição no setor.

Luiz Cornacchioni, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), ressalta que a indústria valoriza matérias-primas inovadoras e de alta qualidade, com características cada vez mais amigáveis ambientalmente. “Isso para que possa assegurar as propriedades desejadas para as tintas, proporcionar os melhores resultados para os usuários e desenvolver produtos mais avançados e sustentáveis”, diz.
Segundo Cornacchioni, existe uma forte relação de colaboração entre fabricantes e seus fornecedores, que trabalham muitas vezes em conjunto para desenvolver soluções mais sustentáveis, ajustar formulações a novas necessidades e adequar-se a regulamentações ou exigências de clientes. “A inovação no setor de tintas depende muito desse trabalho colaborativo”, afirma.
Para o executivo, o setor não deveria nem usar o termo commodities. “Não consideramos as matérias-primas do setor como commodities, e sim como produtos para atender necessidades específicas de formulação de tintas”, diz. O presidente da associação explica ainda que os quatro grupos principais de matérias-primas envolvem resinas, pigmentos, aditivos/cargas e solventes. Na visão dele, os maiores desafios da indústria estão relacionados a custos.
“Temos uma forte dependência de matérias-primas importadas, pois para muitas delas não há produção local ou há produção em volume insuficiente para atender à demanda. No período da pandemia de Covid-19, a disponibilidade foi afetada, mas em geral isso não acontece. Enfrentamos muito mais problemas com os custos dos produtos – por causa de tarifas de importação, de valorização do dólar e de aumentos de preços, e dos fretes, cujos valores aumentaram muito nos últimos anos”.

Alexandre Cavani, coordenador de produtos da unidade de Químicos de Performance do Grupo MCassab, conta que, neste ano de 2024, o aumento do dólar impactou diretamente os custos de importação de matérias-primas, pressionando o mercado e forçando ajustes nos preços finais. “Para 2025, a expectativa é de estabilização cambial moderada, com oscilações influenciadas pelo cenário econômico global e pelas políticas econômicas internas”, diz.
Um desafio ganha destaque especial na opinião do presidente da Abrafati, ao mesmo tempo representando uma oportunidade. “Está no desenvolvimento de políticas e estratégias consistentes e de longo prazo para aumentar a competitividade da indústria química brasileira e atrair novos investimentos nesse setor; sem isso, seremos sempre dependentes de importação de matérias-primas”, afirma.
Demanda por inovação
Alexandre Cavani, do Grupo MCassab, destaca que o setor de tintas demanda soluções inovadoras e parcerias estratégicas, incluindo a distribuição como um todo. “A distribuição de commodities desempenha um papel crucial, conectando grandes fabricantes a um mercado diversificado e exigente. A nossa empresa oferece diferenciais competitivos que conquistam espaço e fortalecem a nossa posição nesse mercado dinâmico”, afirma.
Cavani acredita que uma das principais demandas do setor é contar com um portfólio diversificado de produtos de alta qualidade, que atendam às diversas necessidades de formulação e aplicação. O Grupo MCassab, que possui quase 100 anos de atuação no Brasil, se destaca por disponibilizar itens oriundos de grandes fabricantes parceiros, assegurando não apenas a confiabilidade dos produtos, mas também o acesso a tecnologias de ponta.
A agilidade na entrega é outra característica determinante no sucesso da distribuição de commodities. “Contar com um centro de distribuição estrategicamente localizado, como o complexo do Grupo MCassab em Jarinu (SP), é essencial para otimizar o atendimento. Esse centro de armazenagem, somado às filiais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco, garante cobertura ampla e eficiente, atendendo às necessidades de um mercado que exige rapidez e flexibilidade”, ilustra o executivo.
Outro fator que auxilia a alcançar um diferencial competitivo relevante está no desenvolvimento de soluções customizadas. O Grupo MCassab conta com uma equipe técnica altamente capacitada, segundo Cavani, e um laboratório de aplicação equipado com tecnologia de última geração. “Essa estrutura permite desenvolver, em conjunto com os clientes, soluções inovadoras que agregam valor ao produto final, otimizam processos e atendem às necessidades específicas do mercado”, diz.
A experiência de quase um século no mercado permite que o Grupo MCassab tenha um entendimento profundo das necessidades das empresas. “A nossa companhia prioriza a construção de parcerias de longo prazo, buscando alternativas, tecnologias e avanços que permitam inovação com competitividade. Essa abordagem fortalece a relação com os clientes e fomenta o crescimento sustentável do setor”, ressalta Cavani.
Mesmo falando em commodities, o mercado de tintas busca de certa forma uma premiunização. Cavani destaca a busca contínua por inovação competitiva. “O mercado exige produtos de alta performance, com custo-benefício atrativo e alinhados às tendências globais de sustentabilidade e eficiência”, afirma.
O executivo do Grupo MCassab alerta também sobre a possibilidade de melhorias nas questões logísticas. “A infraestrutura logística brasileira, caracterizada por rodovias deficitárias e custos elevados de transporte, dificulta a distribuição eficiente. A dependência de importações também impõe desafios adicionais, como atrasos em portos e custos associados ao frete internacional que vêm oscilando nos últimos anos”, diz.
Para ele, a distribuição de commodities para o segmento de tintas no Brasil é uma atividade desafiadora, mas cheia de oportunidades para empresas que investem em diferenciais como agilidade logística, portfólio robusto e desenvolvimento técnico. “Com uma visão de longo prazo e foco em inovação, o Grupo MCassab tem contribuído para fortalecer o mercado, construindo parcerias sólidas e atendendo às crescentes demandas por competitividade e sustentabilidade”, conclui.
Expectativa do fabricante
Dizer que a empresa – fornecedor ou distribuidor de matéria-prima – oferece portfólio amplo, agilidade, qualidade e parceria no desenvolvimento de soluções é uma prática comum no setor químico, também para a indústria de tintas. É possível pensar que se trata de um discurso previsível. Porém, na prática, o que essas empresas devem buscar, não importando o seu tamanho, é a excelência no que fazem. Isso para manterem e conquistarem o seu espaço no mercado. Não há outro caminho, as próprias fabricantes chancelam esse conceito.




